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Leda Catunda é uma das artistas mais importantes na área de artes plásticas no Brasil. Aqui, entrevistada por Carolina Fernandez Dalgalarrondo para o ArtePrática, Leda fala sobre seu trabalho e sobre seu processo criativo.
Mais informações sobre o trabalho da artista:
http://sites.uol.com.br/sergioeleda

ArtePrática: As suas formas orgânicas e tramas fazem referência a algo em específico? O que?

Leda Catunda:
Nada especificamente, mas a um todo de formas orgânicas da natureza como coisas que fazem parte das nossas vidas. A intenção principal de utilizar essas formas nos trabalhos é a de conferir aos mesmos um corpo próprio, com volume, que resulte numa fisicalidade, que incite o observador ao toque, que traga memórias visuais a partir de imagens e texturas...


Paisagem c/ Estrada, 1987, Acrílica s/ Tela, Plástico e Luz, 160 x 160 cm


ArtePrática:
Quando começou a pintar já existia a escolha do tecido como suporte? Se não, como aconteceu esta transição?

Leda Catunda:
Comecei a pintar na faculdade óleo s/ tela usando imagens que tirava de revistas e de seriados da Tv e depois de quase 2 anos pintando dessa maneira conclui que precisava de algo mais na superfície. Assim comecei a empregar estampas e pedaços de panos nessas pinturas até depois seguir direto para o uso do pano como sendo o próprio suporte.


ArtePrática:
Os seus trabalhos tem a característica de serem "moles". Isto é uma escolha ou uma consequência?

Leda Catunda:
É absolutamente uma escolha, não tão clara no início quando usava tecidos e estampas mais pela apropriação das imagens que elas traziam, mas uma vez conferida a característica de moleza passei a explora-la intencionalmente e avolumar as obras para parecerem mais moles ainda.



Grande Mórula, 2003, colagem


ArtePrática:
Existe um assunto que poderia ser expresso em palavras que procura comunicar sempre nos seus trabalhos?

Leda Catunda:
Existem muitas maneiras pelas quais poderia me referir aos trabalhos com palavras, mas é certo que os mesmos possuem significados e leituras que inclusive fogem ao meu controle, que estão na cabeça do meu observador, sobre os quais não tenho nenhum domínio, assim posso descreve-los mas nunca conseguiria esgota-los.
É da seguinte maneira que descrevo essas obras: São trabalhos que oscilam em definição entre o que se poderia chamar de pinturas ou de objetos moles, utilizando vários tipos de tecidos e materiais para dar textura e volume. Com procedimentos próximos aos da colagem, através da soma de materiais, recortes, sobreposições e entrelaçamentos, reestruturo a superfície das pinturas em busca de uma poética da maciez. O amolecimento de formas em meus trabalhos decorre da soma de imagens não agressivas orgânicas com o uso da característica mole dos materiais empregados.


ArtePrática:
Se pudesse escolher três artistas ( mortos ou vivos) para fazer uma exposição onde os trabalhos dialogassem com o seu, quais escolheria e por que?

Leda Catunda:
As escolhas seriam Claude Viallat, José Resende e Rauschenberg talvez pelo uso de materiais diversos  e aproveitamento de suas características e significados

Outubro de 2005 
Blog do ArtePrática
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